RESENHA CRÍTICA DO LIVRO

VIVER É A MELHOR OPÇÃO

A prevenção do suicídio no Brasil e no mundo

André Trigueiro

São Bernardo do Campo, SP

Correio Fraterno, 2017

ISBN 978-85-98563-85-5

192 páginas

Falar sobre o suicídio não é coisa fácil. Existe um tabu entre os profissionais de mídias e até mesmo dos médicos para falarem sobre este assunto. Parece que ninguém quer tocar em algo tão complexo e assustador nos dias atuais. Porém, André Trigueiro no seu livro Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo consegue de forma branda e cuidadosa falar desse assunto delicado que tanto atormenta profissionais de várias áreas da saúde e pessoas que de alguma forma convivem com esse temor, sejam sociólogos, filósofos, antropólogos, psiquiatras, psicólogos, padres e tantos outros profissionais. O livro de André Trigueiro é dividido em sete capítulos com uma introdução. No capítulo 1 – Os números falam por si, ele nos traz dados relevantes sobre os números de suicídios no Brasil e no mundo segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, números sobre as características de pessoas que mais tentam suicídio e os números das que realmente conseguiram chegar ao suicídio. São números impressionantes. É preciso ler o livro para tomar um susto com esses números e buscarmos uma solução para esse problema de saúde pública que também é nosso, afinal ninguém quer perder um ente querido para o suicídio. O capítulo 2 – Um tabu, André Trigueiro nos explica do quanto é difícil para as pessoas falarem de suicídio, até mesmo para as famílias e amigos que perdem pessoas queridas como para os médicos legistas que, geralmente, não colocam a causa real nos atestados de óbitos das vítimas. O suicida quase nunca tem com quem falar, desabafar, ouvir-lhe, contar o que está sentindo e o seu desejo de morrer. Com isso não encontra apoio e tratamento adequado, porque ninguém presta atenção nele. Ninguém quer falar de suicídio. André também fala do cuidado que a imprensa deve ter ao falar de suicídio e que para isso existem regras éticas e um manual que ensina como abordar esse problema. Já no capítulo 3 – Por quê, é a pergunta que a gente sempre faz quando perde um ente querido vítima de suicídio. Sentimo-nos impotentes diante desse mal, sabemos que podíamos ter feito algo, mas não imaginávamos nunca que o indivíduo que tanto falava em se matar fosse fazer isso. Esse é um dos nossos grandes problemas, pois não acreditamos que quem diz que vai se matar seja possível de o fazer, porém as pessoas que são vítimas da dor da vida, da depressão, costumam quase sempre tentar suicídio, e aquelas que já tentaram uma vez quase sempre tentarão novamente. Aqui, ele traz o conceito da palavra suicidologia. Precisamos prestar atenção no que as pessoas nos dizem e conversar com elas sobre o suicídio. No capítulo 04 – Fatores de risco, a depressão aparece em primeiro lugar, sempre como um fator que leva o indivíduo ao suicídio, pois ele sente a dor que é viver e não consegue sair dessa situação sem apoio profissional ou amigo. Outro fator de risco é o consumo de álcool e outras drogas, por isso é importante a presença dos Alcóolicos Anônimos no país que fazem um trabalho de qualidade e de cuidado com o alcóolatra. A idade avançada também é um outro fator de risco que deve se tomar cuidado, a pessoa chega a uma certa idade em que se aposenta, se afasta dos amigos, sente-se um peso às pessoas queridas, sentem-se sozinhas e ficam com medo da morte, tudo isso são problemas que levam ao suicídio. A situação dos jovens também é um problema sério, pois envolvidos com as redes sociais e os aparelhos de celulares esquecem dos amigos reais e passam a pensar que os amigos virtuais, as curtidas, os comentários e compartilhamentos são números importantes às suas vidas. Quando se deparam com a noção de que estão sozinhos no mundo, caem em depressão e tendem a buscar solução no suicídio. Os povos indígenas também são vítimas da aculturação e pertencimento, abandonados pelos governos, sufocados pelas culturas do homem branco, vendo os seus costumes e tradições se acabarem com o passar dos tempos esses recorrem ao suicídio como válvula de escape. Também temos o consumo exagerado de roupas de grifes, tênis de marca e celulares caros que as pessoas tendem a desejar e quando não podem comprar criam um sentimento de inferioridade diante dos outros, sentem-se diminuídas, reduzidas ao nada, e com isso entram numa tristeza profunda sendo levadas, muitas vezes, ao suicídio. É preciso cuidar do outro. Precisamos deixar de ser individualistas e de descartar os amigos e as coisas das quais gostamos, o mundo não pode se tornar líquido para sempre, como pensava o sociólogo Zygmunt Bauman, no seu livro Vida Líquida. O capítulo 05 – Prevenção na prática aborda como as pessoas podem e devem se prevenir do suicídio. André Trigueiro fala do cuidado que devemos ter com as armas de fogo, dos agrotóxicos nos meios rurais, das pontes, dos lugares altos e etc. Qualquer coisa pode ser um objeto para se tentar o suicídio, principalmente se a vítima está em depressão. O CVV – Centro de Valorização da Vida, organização que há dezenas de anos previne o suicídio no Brasil é vista como uma salvação de vidas, onde os profissionais são treinados para ouvirem a pessoa que está do outro lado da linha até que ela desligue. O CVV ganhou um número de apenas três dígitos de emergência para ficar mais fácil o seu acesso, o 141. Basta ligar gratuitamente para esse número e falar com um dos operadores que estão sempre atentos para ouvir o indivíduo que deseja suicidar-se ou que está em depressão. No capítulo 06 – Com a palavra, o especialista, André Trigueiro entrevista um dos médicos mais especializados do Brasil no que concerne ao suicídio, o psiquiatra Carlos Felipe D’Oliveira, que nos traz um panorama do que é o suicídio e fala de como se deve preveni-lo e do cuidado que devemos ter para com as pessoas que tentam o suicídio. Por último, o capítulo 07 – Visão espírita que André Trigueiro trata com o cuidado de um espírita das palavras de Alan Kardec sobre o suicídio, trazendo o exemplo de André Luiz psicografado por Chico Xavier, o filme Nosso Lar que fala dos suicidas, e aborda o pensamento de Joanna de Ângelis sobre o que ela pensa do suicídio. A terra é vista pelos espíritas como um lugar de provas e expiações, é aqui onde devemos exercitar e aprender o bem, os valores e virtudes morais, devemos aceitar as nossas dores e logo sermos fortes diante delas e não tirarmos as nossas vidas. No suicídio, ao contrário do que muita gente pensa o sofrimento apenas continua, pois o espírito vive e sofre diante do ato que cometemos. Devemos aprender a viver cada vez mais! Convido a todos para lerem o livro de André Trigueiro que nos ensina a cuidarmos de nós e do outro numa esfera onde o individualismo está cada vez mais propenso e tomando parte de nós.

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