O que fazer com os livros paradidáticos

Rosângela Trajano *

Em visita a algumas escolas vejo bons livros paradidáticos largados nas estantes, às vezes alguns alunos tentam ler qualquer coisa ou procurar por uma ilustração bonita e ainda há aquelas que os livros paradidáticos continuam nas caixas ou porque não tem onde colocá-los ou porque não se sabe mesmo o que fazer com eles.

A maior parte dos professores não visitam sozinhos as bibliotecas das suas escolas, sempre vão nesse lindo espaço quando precisam levar os alunos para uma leitura. Que pena! Parece mentira! Mas não é, não é mesmo!

Muitos institutos de incentivo a leitura, cursos de formação de leitores, investimentos do governo federal e de empresas privadas neste setor e uma pergunta minha: por que temos tão poucos leitores? O que faz do Brasil um país em que os jovens não gostam de ler? Sim, porque leitor não é só aquele que se dedica a uma saga tipo Harry Potter ou Crepúsculo. Leitor é aquele que tem prazer em ler sempre. Então o que está acontecendo? O que fazer com o livro paradidático?

O livro paradidático é uma ferramenta excelente quando bem utilizado. Através dele o professor pode montar um bom projeto de leitura, explorar os temas transversais e criar o prazer da leitura, mas para isso é preciso que o professor conheça os livros que irá trabalhar.

Em conversa com uma professora outro dia sobre a linda história de Clarice Lispector “A vida íntima de Laura” disse que aquele era um belo livro para se fazer um trabalho com alunos a partir do terceiro ano do ensino fundamental I. Ela folheou o livro para lá e para cá. Depois me disse: não sei como fazer. Eu disse: a senhora alguma vez conversou com os seus alunos sobre o que é vida íntima. O livro inicia assim. E ela ficou maravilhada com as possibilidades que fui apresentando sobre como explorar aquela história.

Nas minhas aulas de filosofia para crianças exploro muito o livro infantil e acho que cada professor devia começar a dar uma passadinha de vez em quando na biblioteca ou sala de leitura da sua escola para ler um livro paradidático. Há tesouros escondidos dentro desses livros.

A literatura salva!


* Rosângela Trajano é licenciada e bacharel em filosofia e mestra em literatura comparada.

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