Mariazinha

Rosângela Trajano

 

Era pretinha

Da cor da noite

Gostava de laços

Na cabeça

Coloridos

Quando ia às festas

O povo dizia

– Tão pretinha, tadinha!

E ela se perguntava

Pelo tadinha

Não achava nada esquisito

Ser pretinha

Era como qualquer pessoa

Pensava e sonhava igual as demais

Talvez diferente porque criava

Jacarés no pensamento

Só isso e nada mais

– Tão pretinha, tadinha!

Nem vai dá pra gente

Era mais machucável

Doía na alma, dentro do ser

Mariazinha cresceu e

Foi ser astronauta

A primeira pessoa que tocou nos

Anéis de Saturno

Só por que era pretinha?

Não!!! Só porque era inteligente

Cor não define nada

Estudou como qualquer criança

Cresceu como qualquer adulto

A pretinha virou gente, lindinha

Mais que lindinha!

Consciência Negra