um riso à menininha

27 de dezembro de 2025

um riso à menininha


a historinha que te contei

querida menininha

era de mentira

só pra te fazer sorrir

tu estavas tão triste

eu não sou heroína

nem sei salvar pessoas

sou frágil igual a ti

tenho rios dentro de mim

que desaguam para

nudez da minha dor

eu não sei plantar flores

e também não sei cuidar de estrelas

eu só sei fazer coisas de gente grande

desculpe-me, menininha,

pela historinha mentirosa

mas foi tão lindo te ver sorrir

que mentiria novamente

se eu fosse Eufrosina arrancaria

um riso teu a cada badalada do velho sino

nós duas sofremos a incompreensão

o desprezo, a ingratidão, o medo

de nos perdemos na infinitude

de todas as coisas feias que o homem

criou para bater, morder, machucar

estamos sozinhas nesta dor

o nosso grito corre oceanos

assustando os navegadores

que pescam poesias

nem eu nem você sabemos ser

nossas pernas carregam um mundo

de temores e ausências

deixemos as aves nos alimentarem

em seus ninhos... teremos amor verdadeiro

se quiseres ser adotada por Eufrosina

vens amanhã à minha casa que te levo

ao riso, à alegria, à felicidade

um riso é retrato de espírito liberto

eu sou mulher prisioneira de preconceitos

ideias mortas que assim mesmo me machucam

vens, menininha, amanhã... Eufrosina

te dará um riso imortal

eu nada posso te dar senão cantigas de ninar

menininhas assustadas... mulheres desamadas


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Sobre a Autora

R

Rosângela Trajano

Escritora e Educadora

Escritora potiguar, filósofa, educadora e ativista social. Unindo imaginação, poesia e filosofia para crianças.

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