A sacoleira passava todo dia na porta da minha casa oferecendo de tudo um pouco. De longe, quando a via, já me escondia pra não passar vergonha de dizer que não tinha dinheiro. Certo dia, ela chegou silenciosa. Eu mexi pra lá e pra cá nas coisas dela. Me empolguei com as bugigangas. Fui experimentando colares, pulseiras, maquiagem, batom. No final, disse que não tinha dinheiro. Ela ficou brava e com raiva de mim jogou as bugigangas na sacola e disse que se soubesse que eu era tão pobre não tinha perdido tempo. Ainda me perguntou se eu não tinha nada que pudesse fazer negócio. A vizinha fofoqueira lá de fora gritou “tudo o que ela tem sou eu que dou um pouco de comida pra ela todo dia”. Passei a maior vergonha diante da sacoleira.
TUDO O QUE TENHO
A sacoleira passava todo dia na porta da minha casa oferecendo de tudo um pouco. De longe, quando a via, já me escondia pra não passar vergonha de dizer que…
Compartilhar
Sobre a Autora
Rosângela Trajano
Escritora e Educadora
Escritora potiguar, filósofa, educadora e ativista social. Unindo imaginação, poesia e filosofia para crianças.
Conhecer mais →Posts Relacionados
OS TAMPÕES NOS OUVIDOS
Eu dormia com tampões nos ouvidos porque perto da minha casa tinha muito barulho. Certo dia, eu me acordei apressada para ir à feira e esqueci de tirar os mesmos….
Ler mais →FIM DE SEMANA
Eu tenho uma amiga que vive esbanjando glamour. Adora dizer que foi para tal lugar e fez isso e aquilo no fim de semana. Toda segunda-feira ela chegava me perguntando…
Ler mais →MEU AGIOTA
É, gente, as coisas estão difíceis. Estou sem um centavo no bolso. Pedi dinheiro emprestado a Deus e o mundo, mas ninguém pôde me ajudar. Desesperada segui o conselho de…
Ler mais →Newsletter
Receba notificações sobre novos posts e eventos.
