menino enraivado
anda apressado
cara fechada
feito nuvem sem chuva
chuta o vento
aperta os punhos
não olha o caminho
pisa no cocô da vaca
mole
quente
inesperado
para
o cheiro sobe
feito verdade
ele olha o próprio pé
e a própria pressa
há coisas que a gente pisa
porque não quis ver
limpa o sapato
desamassa o rosto
e descobre
que a raiva também escorrega
