doce menininha viii

Eu tenho cachinhos de anjos para te oferecer, menininha Num sorriso meio tímido Ser um pouquinho de ti Carregar água do poço Pendurar-me numa estrela Virar cuidado de senhor sem…

12 de julho de 2021

Eu tenho cachinhos de anjos

para te oferecer, menininha

Num sorriso meio tímido

Ser um pouquinho de ti

Carregar água do poço

Pendurar-me numa estrela

Virar cuidado de senhor

sem casinha para morar

Sem óculos para enxergar

que gatinho está a chorar

Serei cuidado em terra seca

para o agricultor poder sonhar

A arte de te imitar, menininha vou pintar na noite anciã sem ossos

E quando os teus pezinhos cansarem muito de andar

Cuidarei de te levar no bolso da camisa sem botões

A vida da gente é um gritinho despido que logo passa no tempo do não passar

Ah, doce menininha dos olhinhos azuis

Trago neste cesto três pãezinhos quentes para comeres pastoreando as tuas ovelhas

O teu cabelo caiu dentro do rio e pude nele pescar peixinhos

Cuidarei da finitude do belo e enquanto Heráclito espera o contrário eu ando atrás dos teus iguais

É possível conhecer outros mundos quando se sonha junto

Tenho em mim você e à parte isso tenho o nada

Sou a linha reta no caminho do homem virtuoso

Cuide bem desse sol rasgado ao meio, pois um guizo roubou seus anéis

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Sobre a Autora

R

Rosângela Trajano

Escritora e Educadora

Escritora potiguar, filósofa, educadora e ativista social. Unindo imaginação, poesia e filosofia para crianças.

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