doce menininha vii

Rosângela Trajano Ah, doce menininha Quem me dera que o barulho dos caminhões na estrada não a incomodassem Fiz para ti uma casinha de tijolos brancos Lá dentro dela tem…

12 de julho de 2021

Rosângela Trajano

Ah, doce menininha

Quem me dera que o barulho dos caminhões na estrada não a incomodassem

Fiz para ti uma casinha de tijolos brancos

Lá dentro dela tem um cuidado

Meio desajeitado, meio enferrujado

Porque a arte de cuidar já não mais se pratica

Contudo, eu sei que tu só aprendeste a falar “cuida de mim” e nada mais

Toma pra ti meu cuidado, menininha

Ele não tem nada de magia

É feito de suor e lágrimas

De muitas noites mal dormidas

De visitas a manicômios onde os loucos não podem gritar

Ah, minha doce menininha, hoje uma vendedora de flores perguntou-me de tu

Esquecida… esquecida

Tempo… tempo… tempo

Essas horas malditas

Deixam a menininha sentada na varanda à espera de um instante

E para que serve um instante, perguntou a vendedora de flores

Acho que para cuidar de dores

Dê uma flor e tudo passa, disse a vendedora de flores

Não, não eu te darei cuidado

Em doce de tablete

Para que te lambuzes e sorrias

Porque quem cuida das coisas pequenas também sabe cuidar de gigantes

A alegria de te ver sorrir

Descansa na calmaria do relógio mudo na parede

O lírio, senhor dos tempos gentis, te mandou um beijo

Eu queria ser um átomo não sei pra quê

Talvez para ser tua partícula de cuidado e poder andar contigo mundos… mundos

Ninguém nos verá, menininha, se escondermos a cartinha do vizinho ranzinza

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Sobre a Autora

R

Rosângela Trajano

Escritora e Educadora

Escritora potiguar, filósofa, educadora e ativista social. Unindo imaginação, poesia e filosofia para crianças.

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