Rosângela Trajano

Girassóis

Tenho nas mãos o cheiro dos girassóis

Que me presenteaste no dia do meu aniversário

Tão-logo morreu meu lindo girassol

Tão-logo depois que partiste

Guardei suas pétalas no meu velho livro de poesias

Do meu querido Fernando Pessoa

Teu amor vestido na minha alma que antes sorria

Hoje chora a tua falta, a ausência das tuas palavras

Ah! Quão lindos eram meus girassóis

Não mais do que teu sorriso ao entardecer

Choro, choro sem entender muitas coisas

E como é complexa a vida, minha pequena

Tu que adoravas contemplar o por do Sol

Tu que plantaste em mim girassóis de saudades

Eu choro sim, e peço a este pranto que me leve enfim

Porque suspiro a solidão que ficou no dedo da minha mão esquerda

Ao me despedir do nosso anel e guardá-lo numa caixa

Em uma gaveta que está dentro do meu armário

Tranquei o símbolo do meu amor, tranquei a minha vida

Lá fora vejo outros girassóis, estes sorridentes

Cá dentro chora um jardim de girassóis que estão murchando

Já não sou liberdade ou flor do Universo

Conheci o segredo da dor, do amor desfeito

Choro, choro, sim, minha pequena, porque não compreendo

Por que vieste? Se não querias vir, se temias, se tinhas medo de ti mesma

Por que repetiste tantas vezes os mesmos gestos dos apaixonados

À porta da minha casa costumava bater sempre um entregador de flores

Mais precisamente um homem sorridente que me trazia girassóis

Compreender a vida, sei que nunca a compreenderei…há tantas dúvidas

Por que morrem tão cedo os girassóis?

Logo nascem outros, mas eu não quero os novos, eu quero os de ontem

Os que ontem olhavam para mim e eu olhava para eles

Largo-me na inquietude destas palavras naufragadas na dor do abandono

Eu me desenhei nas pétalas dos teus girassóis e me colori de amarelo

Só para iluminar teus dias, só para beijar o sorriso dos teus olhos

Caí ao chão, assim como caíram todas as pétalas dos girassóis

O tempo passa, passa rápido, tão rápido que esqueço de mim

Girassóis plantados lá adiante me avisam: o sol está indo embora

E assim eu choro.

Poesias para Adultos