Rosângela Trajano

Como bonecos de panos

Não permitas que a tristeza do agora

Perturbe tua paz espiritual

Dá-me um sorriso, mas não o dos lábios

E sim, o da tua alma

Procurei por flores ainda há pouco

Presentear-te foi meu desejo

Todos os jardins que pude ver

Estavam por trás de grades

Sentei-me à calçada da minha casa

Pensei em ti com saudades

Ah! Não me venhas falar sobre o tempo

Às vezes quando alguém bate a porta na saída

Sinto-me abandonada… dor da partida

Continuamente surpreendemo-nos com as pessoas

Como velhos bonecos de panos

Em mãos tristes e momentos de ira

Batem-nos, machucam-nos e rejeitam-nos

Bonecos são desprezados em um canto qualquer

Nós somos gente nesse enorme Universo

Sem forças para caminhar

Vagamos perdidos e vazios pelo cotidiano

Ontem, contemplei as crianças da minha rua

Brincavam felizes e faziam algazarra

Em frente a minha casa há um jardim sem dono

Florido, colorido e perfumado

Jamais tinha percebido essas coisas

Porque só enxergo aquilo que meus olhos querem

Só compreendo aquilo que minha mente determina

Mas não sofro porque quero

Valorizo demais coisas pequenas

A dor de uma perda tem cura

Se não quiseres sofrer por muito tempo

Fechas os olhos da alma

Veste-te de esperança

E costuras os tecidos do teu corpo

Porque bonecos de panos também têm valor.

Poesias para Adultos